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Olavo Bilac |
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Sonetos
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Olavo Bilac |
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A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.
Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés – um pé-de-vento!
Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.
Garrincha, o anjo, escuta e atende: – Goooool!
É pura imagem: um G que chuta um o
Dentro da meta, um 1. É pura dança!
Vinicius de
Moraes
Não maldigo o rigor da iníqua
sorte,
Por mais atroz que fosse e sem piedade,
Arrancando-me o trono e a majestade,
Quando a dous passos só estou da morte.
Do jogo das paixões minha alma forte
Conhece bem a estulta variedade,
Que hoje nos dá contínua f'licidade
E amanhã nem — um bem que nos conforte.
Mas a dor que excrucia e que maltrata,
A dor cruel que o ânimo deplora,
Que fere o coração e pronto mata,
É ver na mão cuspir a extrema hora
A mesma boca aduladora e ingrata,
Que tantos beijos nela pôs — outrora.
Dom Pedro II
És tão menina, mesmo assim eu te
amo;
Zelo-te desde os teus anos de infância;
Cresceste e alimentei minha doce ânsia
De amar-te no jardim que vos aclamo;
Sonho contigo, lágrimas derramo…
Com teu caminhar na pura elegância…
Com teu perfume de doce fragrância…
Com teu nome que nos sonhos meus chamo;
Adormeço nas noites majestosas;
Meu jardim é um mar de lindas rosas
Que cobrirão teu corpo virginal;
Menina! Meu amor por ti é tanto;
Deixai-me te cobrir com branco manto
Menina virgem, meu puro cristal;
Samuel Balbinot
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